Proposta pedagógica — por validar pela Ologa/ATDI. Este conteúdo é um rascunho preparado pela equipa. A sua disponibilidade na plataforma não significa aprovação nem validação técnica.
Duração prevista: 100 minutos, em sessão presencial.
Como o tempo desta lição está distribuído
- Acolhimento e objectivos: 10 minutos.
- Exposição: 35 minutos.
- Actividade prática: 45 minutos.
- Partilha e síntese: 10 minutos.
Objectivos da lição
- Identificar as principais rubricas de custo de um serviço na nuvem: computação, armazenamento, rede e saída de dados, cópias de segurança, registos e suporte.
- Calcular o custo mensal de um cenário fictício a partir de uma tabela de preços dada, apresentando todos os operandos e o resultado em dólares e em meticais, com os pressupostos escritos.
- Propor medidas de optimização com poupança estimada, distinguindo o que reduz custo do que apenas o adia, e explicar os limites dos alertas de orçamento.
Explicação
A factura de um serviço na nuvem não tem uma linha só. Tem, tipicamente, seis famílias de rubricas. A computação paga-se sobretudo por tempo com a máquina ligada, e por tamanho da máquina. O armazenamento paga-se por capacidade ocupada e por tempo, havendo classes mais baratas para dados pouco consultados. A rede é o ponto que mais surpreende: a entrada de dados costuma não ser cobrada, mas a saída para a internet é cobrada por gigabyte, e tráfego entre regiões também pode ser cobrado. As cópias de segurança pagam-se por volume guardado e por tempo de retenção. Os registos de monitoria pagam-se por volume recebido e por tempo de conservação — guardar tudo, sempre, sai caro. E o suporte costuma ser um plano à parte, muitas vezes com percentagem do consumo e com valor mínimo mensal.
Há três verdades incómodas que convém dizer cedo. A primeira: parar uma máquina virtual não elimina todos os custos associados, e «parar» não quer sempre dizer a mesma coisa. A documentação do Azure sobre estados e facturação de máquinas virtuais distingue o estado «parada» (Stopped), em que a máquina continua com a capacidade reservada e a computação CONTINUA a ser facturada, do estado «parada e desalocada» (Stopped/Deallocated), em que a capacidade é libertada e a computação por consumo deixa de ser facturada. Mesmo desalocada, o disco continua a ocupar espaço e a ser cobrado, e endereços reservados, cópias e licenças associadas podem continuar a contar; e, se existirem compromissos contratuais — capacidade reservada, planos de poupança, licenças subscritas —, esses continuam a ser pagos independentemente de a máquina estar ligada ou não. Desligar a máquina pelo sistema operativo, de dentro, costuma deixá-la no primeiro estado, não no segundo. Para deixar de pagar tudo, é preciso eliminar os recursos — depois de confirmar que não são precisos e de guardar o que interessa. A segunda: os alertas de orçamento avisam, não travam. Um orçamento definido na plataforma envia notificação quando o consumo atinge determinadas percentagens do valor previsto; por si, não suspende serviços nem impede que a despesa continue a crescer. A documentação do próprio fornecedor descreve o orçamento como instrumento de aviso, e qualquer acção automática tem de ser configurada à parte, com todos os riscos que suspender um serviço público acarreta. A terceira: o preço listado não é a despesa total — falta o câmbio, faltam impostos quando aplicáveis, falta o tempo de pessoas.
Por isso, todo o cálculo de custos tem de trazer os pressupostos à superfície. Quantas horas por dia a máquina está mesmo ligada? Quantos dias tem o mês considerado? Que volume de saída de dados se prevê, e com que base? Qual o câmbio usado e de que data? Um orçamento em que estes números não estão escritos não pode ser discutido nem corrigido: só pode ser acreditado ou rejeitado. Escrever os pressupostos é o que transforma uma estimativa numa proposta discutível. E quando um número não é conhecido, escreve-se «por apurar» e indica-se como será apurado — nunca se preenche com um valor bonito.
A optimização faz-se por camadas, começando pelo que não tem risco. Primeiro, eliminar o que não é usado: discos órfãos de máquinas já apagadas, endereços reservados sem uso, ambientes de demonstração esquecidos, cópias antigas fora da política de retenção. Depois, ajustar o que está sobredimensionado: máquinas com processador quase sempre abaixo de dez por cento, bases de dados com capacidade muito acima do uso real. A seguir, ajustar horários: ambientes de teste e de formação raramente precisam de estar ligados de noite e ao fim-de-semana. Depois, arrumar os dados: mover para classes de armazenamento mais baratas o que é raramente consultado, reduzir a retenção de registos para o que é realmente necessário, comprimir exportações. Só no fim se consideram compromissos de longo prazo — capacidade reservada por um ou três anos — porque estes trocam flexibilidade por desconto e, num serviço público, exigem previsibilidade que nem sempre existe.
É útil distinguir três tipos de medida, porque são frequentemente confundidos na mesma lista. Há medidas que reduzem o custo de forma permanente, como apagar um disco órfão. Há medidas que adiam ou deslocam o custo, como mover dados para uma classe mais barata com custo de leitura mais alto: se os dados forem muito consultados, a poupança desaparece. E há medidas que reduzem risco sem reduzir custo, como criar um orçamento com alertas — valiosas, mas que não devem ser somadas à coluna da poupança. Uma proposta de optimização honesta separa estas três colunas.
Finalmente, a governação do custo é uma responsabilidade partilhada e precisa de dono. Convém haver etiquetas nos recursos que identifiquem o serviço, a direcção responsável e o projecto, para que a factura possa ser repartida e discutida; sem isso, a despesa aparece como um bloco único que ninguém consegue explicar. Convém haver revisão mensal do consumo com a direcção, com comparação entre previsto e realizado e explicação dos desvios. E convém que quem cria recursos saiba o que custam — muitos excessos nascem de boa-fé técnica, não de desleixo.
A factura mensal do portal de Ondela (preços e consumo FICTÍCIOS)
A tabela de preços que se segue é inventada para este exercício. Os valores são redondos de propósito, para que o cálculo possa ser feito à mão. Não correspondem aos preços de nenhum fornecedor e não servem para orçamentar nada.
Máquina virtual padrão (2 vCPU, 8 GB de memória): 0.1 USD por hora ligada.
Disco ligado à máquina: 0.12 USD por GB por mês, cobrado mesmo com a máquina parada.
Armazenamento de objectos: 0.025 USD por GB por mês.
Saída de dados para a internet: 0.09 USD por GB, com os primeiros 10 GB do mês sem custo.
Entrada de dados: 0 USD por GB.
Cópias de segurança: 0.05 USD por GB por mês.
Registos (logs) recebidos pelo serviço de monitoria: 0.5 USD por GB.
Plano de suporte: 10 % do consumo do mês, com mínimo de 25 USD.
Câmbio de referência assumido para o exercício: 64 MZN por 1 USD.
Todos estes preços são FICTÍCIOS, arredondados e construídos para o exercício. Não são preços de nenhum fornecedor e não servem para orçamentar nada.
Consumo declarado no mês, também fictício, para um mês de 30 dias: portal ligado 24 horas por dia, 30 dias, ou seja 720 horas; máquina de relatórios ligada 10 horas por dia, 22 dias úteis, ou seja 220 horas; 128 GB de disco na máquina do portal e 64 GB de disco na máquina de relatórios, ou seja 192 GB de discos no total; 400 GB em armazenamento de objectos; 150 GB de saída de dados para a internet; 200 GB de cópias de segurança; 30 GB de registos recebidos pelo serviço de monitoria.
Repare-se em dois detalhes que costumam ser esquecidos no cálculo: os primeiros gigabytes de saída não são cobrados, pelo que a saída facturável é menor do que a saída total; e o plano de suporte tem um valor mínimo, que se aplica quando a percentagem calculada fica abaixo desse mínimo.
Actividade prática
Trabalho em pares, com 45 minutos de trabalho, seguidos de 10 minutos de partilha e síntese em plenário.
Exercício de análise e simulação documental, feito em papel ou em folha de cálculo. Nesta lição não se criam nem se alteram recursos na nuvem e não se declara nenhum laboratório como executado.
Recomenda-se um computador por pessoa. Quando não for possível, no máximo duas pessoas por computador, alternando quem escreve a cada parte do exercício, de modo que ambas trabalhem no teclado.
Trabalho em papel ou em folha de cálculo, a partir da tabela de preços fictícios e do consumo declarado acima. Nenhum recurso é criado e nenhuma factura real é consultada.
Parte 1 — cálculo. Preencham uma tabela com uma linha por rubrica: computação, discos, armazenamento de objectos, saída de dados, cópias de segurança, registos e suporte. Em cada linha têm de escrever os operandos usados — quantidade, preço unitário e resultado — e não apenas o total. Apresentem o consumo do mês, o valor do suporte, o total em dólares e o total convertido em meticais ao câmbio assumido.
Parte 2 — pressupostos. Escrevam a lista dos pressupostos do vosso cálculo, incluindo o número de dias do mês, as horas de funcionamento assumidas, os gigabytes de saída sem custo e o câmbio. Marquem com «por apurar» qualquer número que, num caso real, teria de ser confirmado e indiquem onde seria confirmado.
Parte 3 — optimização. Proponham cinco medidas para reduzir o custo mensal deste cenário. Para cada uma indiquem a poupança estimada em dólares, como a estimaram, o risco para o serviço e a classificação da medida: reduz custo de forma permanente, adia ou desloca o custo, ou reduz risco sem reduzir custo. As três colunas não se somam entre si.
Parte 4 — limites. Respondam por escrito a duas perguntas: (a) se a direcção definir um orçamento com alerta aos 80 %, o consumo pára quando o alerta dispara? (b) se a máquina de relatórios ficar parada E DESALOCADA durante todo o mês seguinte — pressuposto expresso deste exercício: a capacidade é libertada e não existe nenhum compromisso contratual de capacidade reservada, plano de poupança ou licença subscrita associado a essa máquina —, quanto deixamos de pagar e que custos continuam a ser cobrados? Apresentem a conta. Escrevam também o que mudaria na resposta se a máquina ficasse apenas parada, sem ser desalocada.
Rubrica de apreciação, sobre 10 pontos: 3 pontos pelo cálculo correcto com todos os operandos visíveis; 1 ponto pelo tratamento correcto dos gigabytes de saída sem custo; 1 ponto pelo tratamento correcto do mínimo do plano de suporte; 1 ponto pela conversão com câmbio identificado como pressuposto; 2 pontos pelas cinco medidas com poupança estimada e classificação nas três colunas; 2 pontos pelas duas respostas da parte 4, com a conta feita. Perde 2 pontos qualquer trabalho que apresente um total sem mostrar os operandos.
Produto esperado: uma folha de cálculo de custos com todos os operandos visíveis, lista de pressupostos, cinco medidas de optimização classificadas em três colunas e as respostas fundamentadas sobre os limites dos alertas de orçamento e da paragem de máquinas.
Síntese em leitura fácil
- A factura tem várias rubricas: computação, armazenamento, rede e saída, cópias, registos e suporte.
- A entrada de dados costuma não pagar; a saída para a internet paga.
- Parar não é o mesmo que desalocar: só a máquina desalocada deixa de pagar computação por consumo.
- Mesmo desalocada, o disco continua a ser cobrado.
- Compromissos já assumidos (capacidade reservada, licenças) continuam a pagar-se com a máquina desligada.
- Os alertas de orçamento avisam; não suspendem o consumo.
- Todo o cálculo mostra os operandos, os pressupostos e o câmbio usado.
- Optimizar começa por apagar o que não é usado e ajustar o que está grande demais.
- Reduzir custo, adiar custo e reduzir risco são três coisas diferentes e não se somam.
- Etiquetar os recursos permite saber de quem é cada despesa.
Verificação formativa
Estas perguntas não contam para a nota final e não são perguntas do exame final. Servem para a pessoa formanda confirmar o que percebeu.
- A direcção definiu um orçamento mensal com aviso aos 80 % e aos 100 %. Em que medida isso protege a instituição de uma despesa inesperada?
- No cenário fictício, porque é que o plano de suporte fica em 25,00 USD e não em 16,46 USD?
Respostas comentadas da verificação formativa
As respostas abaixo pertencem às perguntas de verificação formativa desta lição. Não são perguntas nem respostas do exame final e não têm qualquer efeito na nota. Tente responder primeiro e só depois compare.
Pergunta 1. A direcção definiu um orçamento mensal com aviso aos 80 % e aos 100 %. Em que medida isso protege a instituição de uma despesa inesperada?
Resposta: Protege por aviso apenas: a notificação chega a quem estiver indicado, mas o consumo continua. Travar exige acção humana ou uma automatização configurada à parte, decidida com cuidado num serviço público.
Comentário: Por isso o alerta precisa de destinatário responsável e de acção esperada, como se viu na lição de monitoria.
Pergunta 2. No cenário fictício, porque é que o plano de suporte fica em 25,00 USD e não em 16,46 USD?
Resposta: Porque 10 % de 164,64 USD dá 16,46 USD, valor inferior ao mínimo mensal de 25 USD previsto na tabela; aplica-se o mínimo.
Comentário: Valores mínimos e escalões são a origem mais frequente de erro nos orçamentos feitos à pressa.
Referências consultadas
- Microsoft Learn — Estados e facturação de máquinas virtuais no Azure — https://learn.microsoft.com/en-us/azure/virtual-machines/states-billing (consultado em 21 de Setembro de 2026).
- Microsoft Learn — Tutorial: create and manage Azure budgets — https://learn.microsoft.com/en-us/azure/cost-management-billing/costs/tutorial-acm-create-budgets (consultado em 21 de Setembro de 2026).
