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Capacitação DigitalPrograma Nacional — Moçambique
Módulo 3 de 4 · Segurança Cibernética Avançada

Continuidade, Incidentes e Conformidade

Progresso neste dispositivo0/5

Comunicação inclusiva e acessível durante um incidente

  • Texto: disponível
  • Síntese em leitura fácil: disponível
  • Leitura em voz alta pelo navegador: disponível
  • Alto contraste e navegação por teclado: controlos disponíveis
  • Vídeo e legendagem: por produzir
  • Língua de Sinais Moçambicana: por produzir
  • Revisão de acessibilidade por terceiros: por realizar

Os controlos de acessibilidade existem e funcionam. Isso não equivale a uma revisão de acessibilidade feita por terceiros: essa revisão está proposta e ainda não foi realizada.

Duração prevista: 90 minutos, em sessão presencial.

Todos os casos, instituições, endereços, registos e números usados nesta lição são fictícios e servem apenas de exercício.

Como o tempo desta lição está distribuído

  • Acolhimento e objectivos: 10 minutos.
  • Exposição: 25 minutos.
  • Trabalho prático: 40 minutos.
  • Partilha e síntese: 15 minutos.

Como trabalhamos na sala: um computador por pessoa. Quando não for possível, no máximo duas pessoas por computador, alternando quem executa a meio do trabalho, de modo que ambas façam. Na partilha apresentam dois grupos, com tempo limitado; os restantes entregam por escrito e recebem comentário do formador. Marcar a lição como concluída é registo de aprendizagem e não é registo de assiduidade.

Objectivos da lição

  • Escrever três mensagens sobre o mesmo incidente — para o público no balcão, para o pessoal interno e para a direcção — mantendo os factos coerentes e adaptando o que cada destinatário precisa de saber.
  • Aplicar critérios de acessibilidade à mensagem pública: linguagem simples, frases curtas, aviso legível impresso, leitura em voz alta e alternativa para quem não usa internet.
  • Identificar, nos três comunicados fictícios fornecidos, as afirmações que não podem ser feitas por não estarem apuradas e reescrevê-las.
  • Definir o calendário de actualizações e o que se diz quando ainda não há informação nova.

Explicação

Durante um incidente comunica-se sempre, mesmo quando não há novidades — o silêncio é preenchido por rumor. A regra que sustenta tudo é a separação entre o que se sabe, o que se está a apurar e o que se vai fazer a seguir. Misturar estas três coisas produz comunicados que envelhecem mal e que obrigam a desmentidos.

Cada destinatário precisa de coisas diferentes, a partir dos mesmos factos. O cidadão no balcão precisa de saber se é atendido hoje, como, e quando voltar; não precisa de saber que servidor está em baixo. O pessoal interno precisa de saber o que não deve fazer — não usar determinado sistema, não reencaminhar mensagens, não tentar resolver por iniciativa própria — e a quem comunicar o que observar. A direcção precisa de impacto, prazo estimado, decisões pendentes e riscos. Os factos têm de ser os mesmos nas três mensagens: versões diferentes descobrem-se sempre e destroem a confiança.

Acessibilidade não é um extra da comunicação de incidente; é o que determina se a informação chega. Se o portal está em baixo, publicar apenas no portal não comunica nada. A mensagem pública precisa de existir em papel afixado à entrada, em letra grande e com bom contraste, dita em voz alta por quem recebe as pessoas, com linguagem simples e frases curtas, e com uma alternativa concreta para quem não usa internet nem telemóvel. Quem tem baixa visão, quem não lê com facilidade e quem não fala a língua do aviso são exactamente as pessoas que ficam de fora quando isto é esquecido.

Há afirmações que não se podem fazer nas primeiras horas, e que aparecem com frequência: «os dados não foram acedidos» quando ainda não se analisou; «o problema está resolvido» quando se está em contenção; «foi um ataque de fora» quando não está apurado; «não há risco para os cidadãos» quando não se sabe. Substituem-se por formulações verdadeiras e úteis: o que está confirmado, o que está em apuramento, e quando haverá informação nova.

Por fim, a comunicação a entidades externas — reguladores, parceiros, autoridades — é decisão da direcção, com apoio jurídico, e não da equipa técnica. Esta formação não indica prazos legais nem obrigações de notificação: essa verificação faz-se em concreto, na data, com a área jurídica da instituição.

Caso fictício: os avisos do dia 14 em Muteva

Às 10h00 do dia 14, com o incidente ainda em contenção, foi afixado à entrada um papel A4 impresso em letra pequena: «Serviços informáticos em manutenção. Agradecemos a compreensão.»

Às 10h30, uma mensagem interna dizia: «Houve um ataque informático. Os dados não foram comprometidos. Já está tudo controlado.» Nenhuma destas três frases estava apurada nesse momento.

No balcão, as pessoas continuavam a chegar sem saber se seriam atendidas. Quem não lia o papel — por não ver bem, por não ler com facilidade, ou por não passar pela entrada principal — não recebeu informação nenhuma. O atendimento manual em papel existia, mas ninguém o anunciou.

Anexo A — Factos apurados às 10h00 do dia 14 (fictícios)

Base factual comum às três mensagens. Não acrescentar nada que não conste desta lista.

Confirmado: uma conta de administração foi usada indevidamente na madrugada de 3 de Setembro.

Confirmado: foi criada uma conta adicional com privilégios e foram exportados 41 200 registos de processos.

Confirmado: houve transferência de 2,4 gigabytes para um destino externo.

Confirmado: o atendimento presencial pode continuar em papel, a ritmo mais lento, nos dois balcões.

Em apuramento: que dados concretos estavam nos registos exportados e se incluem documentos digitalizados.

Em apuramento: se outras contas foram usadas indevidamente.

Previsto: o portal de marcação em linha fica indisponível até nova informação; próxima actualização às 16h00.

Não determinado: a origem e a autoria do acesso.

Anexo B — Três comunicados propostos (fictícios, com afirmações indevidas)

Material de entrada para correcção.

Comunicado 1, para afixar: «Sistema em manutenção. Voltamos em breve.»

Comunicado 2, para o pessoal: «Fomos vítimas de um ataque externo. Os dados dos cidadãos não foram acedidos. A situação está controlada e resolvida.»

Comunicado 3, para a direcção: «Tudo sob controlo, sem impacto relevante. O sector de informática está a tratar do assunto e informará quando estiver concluído.»

Trabalho prático

Trabalho em grupos de três pessoas, com os anexos A e B em papel, com 40 minutos de trabalho, seguidos de 15 minutos de partilha e síntese em plenário.

Exercício em papel. Esta parte é análise documental sobre material fornecido. Não é o laboratório e não pode ser registada como prática executada em ambiente.

Passo 1 (10 minutos). Marquem, nos três comunicados do anexo B, todas as afirmações que não são sustentadas pelo anexo A. Escrevam ao lado por que razão cada uma é indevida.

Passo 2 (20 minutos). Reescrevam as três mensagens a partir dos factos do anexo A. A pública deve caber numa folha, em frases curtas, dizer se há atendimento hoje e como, e indicar quando haverá informação nova.

Passo 3 (10 minutos). Escrevam a lista de verificação de acessibilidade da mensagem pública e o calendário de actualizações, incluindo a frase-tipo a usar quando, à hora marcada, ainda não houver informação nova.

Produto esperado: Anexo B anotado, três mensagens reescritas e uma folha com a lista de acessibilidade e o calendário de actualizações.

Como o produto é apreciado

  • Foram marcadas, no mínimo, as afirmações «ataque externo», «dados não acedidos», «resolvida» e «sem impacto relevante».
  • A mensagem pública diz que há atendimento presencial em papel, a ritmo mais lento, e a hora da próxima actualização.
  • As três mensagens assentam nos mesmos factos, sem contradições entre elas.
  • A lista de acessibilidade inclui letra grande e contraste, afixação em mais do que um ponto, leitura em voz alta por quem recebe, linguagem simples e alternativa para quem não usa internet.
  • A frase-tipo para «sem novidades» mantém a confiança sem inventar progresso.
  • Nenhuma mensagem afirma obrigação legal de notificação nem prazos legais.

Síntese em leitura fácil

  • Separar sempre: o que se sabe, o que se está a apurar, o que se vai fazer.
  • Mesmos factos para todos; só muda o que cada destinatário precisa de saber.
  • Se o portal está em baixo, o aviso tem de estar em papel e ser dito em voz alta.
  • Letra grande, frases curtas, e uma alternativa para quem não usa internet.
  • Comunicar mesmo sem novidades, à hora prometida.

Verificação formativa

Estas perguntas não contam para a nota final e não são perguntas do exame final. Servem para a pessoa formanda confirmar o que percebeu.

  1. Porque é que «os dados dos cidadãos não foram acedidos» não pode ser dito às 10h00 do dia 14?
  2. Chegou a hora da actualização prometida e não há informação nova. O que se comunica?

Respostas comentadas da verificação formativa

As respostas abaixo pertencem às perguntas de verificação formativa desta lição. Não são perguntas nem respostas do exame final e não têm efeito na nota. Tente responder primeiro e só depois compare.

Pergunta 1. Porque é que «os dados dos cidadãos não foram acedidos» não pode ser dito às 10h00 do dia 14?

Resposta: Porque está confirmado que 41 200 registos foram exportados e que houve transferência para fora; o que está em apuramento é o conteúdo concreto. A afirmação é contrariada pelos factos conhecidos e teria de ser desmentida mais tarde.

Comentário: Uma negação prematura custa mais do que o silêncio prudente. Diz-se o que está confirmado e o que está em apuramento, com hora da próxima actualização.

Pergunta 2. Chegou a hora da actualização prometida e não há informação nova. O que se comunica?

Resposta: Comunica-se à mesma: confirma-se que não há elementos novos, repete-se o que está em apuramento, mantém-se a informação prática sobre o atendimento e marca-se a hora seguinte.

Comentário: Cumprir a hora prometida, mesmo sem novidades, é o que sustenta a credibilidade das actualizações seguintes.

Referências consultadas

  • NIST Cybersecurity Framework — quadro voluntário de segurança cibernética — https://www.nist.gov/cyberframework (consultado em 22 de Setembro de 2026).
    Síntese da equipa: Quadro de adesão voluntária organizado em seis funções: Governar, Identificar, Proteger, Detectar, Responder e Recuperar. Serve para organizar o trabalho de segurança e conversar sobre risco com a direcção; não é lei nem certificação.

Estas referências são quadros e guias técnicos internacionais de adesão voluntária. Não são lei moçambicana, não criam prazos nem obrigações legais e não conferem qualquer certificação.

Progresso apenas neste aparelho. Sem sessão iniciada com matrícula numa turma deste curso, o que marcar fica guardado só aqui e não conta para a sua formação.

Marcar uma lição como feita não regista presença, não dá aprovação nem emite certificado.