Proposta pedagógica — por validar pela Ologa/ATDI. Este conteúdo é um rascunho preparado pela equipa. A sua disponibilidade na plataforma não significa aprovação nem validação técnica.
Duração prevista: 90 minutos.
Como o tempo desta lição está distribuído
- Acolhimento e objectivos: 10 minutos.
- Exposição: 40 minutos.
- Actividade prática: 30 minutos.
- Partilha e síntese: 10 minutos.
Objectivos de aprendizagem
No fim desta lição, a pessoa formanda deve ser capaz de:
- Distinguir digitação, digitalização e transformação digital, dando um exemplo de cada.
- Identificar três mudanças institucionais que a transformação digital exige além da tecnologia.
- Nomear cinco tecnologias associadas à transformação digital e o problema que cada uma procura resolver.
Explicação
Transformação digital não é comprar equipamento nem pôr um formulário em linha. É a mudança na forma como uma instituição concebe, presta e avalia os seus serviços, usando meios digitais para servir melhor as pessoas. A tecnologia é o meio; o fim é o serviço.
Ajuda distinguir três degraus. Digitação é passar para o computador aquilo que estava em papel, mantendo o mesmo processo. Digitalização é usar meios digitais para executar o processo existente, poupando deslocações e tempo. Transformação digital é rever o próprio processo à luz daquilo de que a pessoa precisa, eliminando passos que só existiam por causa do papel.
Por isso a transformação digital toca em quatro camadas ao mesmo tempo: as pessoas e as suas competências; os processos e as regras que os sustentam; os dados e a forma como circulam entre serviços; e, por fim, a tecnologia. Quando só a última camada muda, o resultado costuma ser um serviço em linha que continua a exigir as mesmas idas ao balcão.
As tecnologias mais citadas neste domínio respondem a problemas diferentes. A computação em nuvem responde ao problema de ter capacidade de cálculo e armazenamento sem manter uma sala de servidores. Os grandes volumes de dados respondem ao problema de decidir com base em evidência e não em impressão. A inteligência artificial responde ao problema de tratar casos repetitivos em grande número e de encontrar padrões. A Internet das coisas responde ao problema de recolher informação do mundo físico sem alguém a registar à mão. A cadeia de blocos responde ao problema de garantir que um registo partilhado não é alterado sem rasto.
Nenhuma destas tecnologias resolve, por si, um processo mal desenhado. Automatizar um procedimento confuso produz confusão mais depressa. Daí a ordem de trabalho que este curso adopta: perceber o serviço, simplificar o processo, e só depois escolher a tecnologia.
Exemplo no contexto dos serviços públicos
Cenário fictício, elaborado para exercício. Não corresponde a nenhuma instituição ou pessoa real.
A certidão do Serviço Distrital de Ondela (cenário fictício)
O Serviço Distrital de Ondela emite uma certidão que exige três deslocações: uma para pedir, uma para pagar, uma para levantar. A direcção decide colocar o formulário em linha. Passados dois meses, as pessoas continuam a deslocar-se três vezes: preenchem em linha, mas ainda têm de levar o comprovativo em papel, pagar ao balcão e levantar presencialmente.
O formulário em linha foi digitalização, não transformação. A transformação começaria por perguntar porque é que são precisas três deslocações: o comprovativo existe porque os dois sistemas não comunicam; o pagamento ao balcão existe porque não há meio electrónico aceite; o levantamento existe porque a certidão precisa de carimbo húmido por exigência interna que ninguém reviu há anos.
Removidos esses três motivos, o serviço passaria a uma deslocação ou a nenhuma — sem que fosse preciso comprar mais tecnologia do que aquela que já existe.
Actividade prática
Tempo: 30 minutos de trabalho, individual, seguidos de 10 minutos de partilha e síntese em plenário.
Escolha um serviço prestado pela instituição onde trabalha e que conheça bem.
Escreva, em três colunas, o que nesse serviço é digitação, o que é digitalização e o que seria transformação digital.
Para cada passo que classificou como digitação ou digitalização, escreva numa linha porque é que esse passo existe. Se não souber, escreva «motivo por apurar» — isso também é resultado.
Produto esperado: uma tabela de três colunas com, pelo menos, seis passos classificados e o motivo de cada passo que não chegou a transformação digital.
Síntese em leitura fácil
- Transformação digital é mudar o serviço, não só o equipamento.
- Digitação copia o papel. Digitalização acelera o processo antigo. Transformação digital pergunta se o processo ainda faz sentido.
- Mudam quatro coisas ao mesmo tempo: pessoas, processos, dados e tecnologia.
- Automatizar um processo mau dá um processo mau mais rápido.
Verificação formativa
Estas perguntas não contam para a nota final e não são perguntas do exame final. Servem para a pessoa formanda confirmar o que percebeu.
Pergunta 1. Colocar um formulário em PDF no sítio da instituição é transformação digital?
Resposta: Não. É digitalização, e por vezes apenas digitação.
Comentário: O critério é saber se o processo mudou para a pessoa. Se continua a haver as mesmas deslocações e os mesmos documentos, o processo não mudou.
Pergunta 2. Qual é a camada que costuma ficar esquecida nos projectos digitais?
Resposta: As pessoas e os processos — as regras internas que sustentam cada passo.
Comentário: A tecnologia é a camada mais visível e a mais fácil de contratar; por isso é a que avança primeiro e, muitas vezes, sozinha.
Pergunta 3. Que problema procura resolver a computação em nuvem?
Resposta: Ter capacidade de armazenamento e de cálculo sem manter infra-estrutura própria.
Comentário: Note que isto levanta, em contrapartida, questões de localização e de protecção dos dados, tratadas no módulo 2.
