Proposta pedagógica — por validar pela Ologa/ATDI. Este conteúdo é um rascunho preparado pela equipa. A sua disponibilidade na plataforma não significa aprovação nem validação técnica.
Duração prevista: 105 minutos, em sessão presencial.
Como o tempo desta lição está distribuído
- Acolhimento e objectivos: 10 minutos.
- Exposição: 35 minutos.
- Actividade prática: 50 minutos.
- Partilha e síntese: 10 minutos.
Objectivos da lição
- Enumerar as vantagens habituais da nuvem e o limite prático de cada uma.
- Identificar as componentes de infra-estrutura que sustentam um serviço em nuvem.
- Aplicar o princípio da responsabilidade partilhada, dizendo o que continua a caber à instituição em cada modelo de serviço.
Explicação
As vantagens mais invocadas são quatro. Ajustar a capacidade à procura, evitando comprar para o pico. Reduzir o tempo entre decidir e ter o serviço a funcionar, porque não há aquisição de equipamento. Aceder a serviços geridos que a instituição não teria capacidade de montar sozinha. E melhorar a continuidade, por ser mais fácil ter cópias em locais diferentes.
Cada uma tem o seu limite. O ajuste à procura só poupa se alguém reduzir a capacidade quando o pico passa — máquinas esquecidas ligadas consomem na mesma. A rapidez inicial não elimina o trabalho de migrar dados, rever processos e formar pessoas, que costuma ser a parte mais demorada. Os serviços geridos aumentam a dependência do fornecedor e dificultam a saída. E nada disto funciona sem ligação à internet com qualidade suficiente, o que em vários distritos é a primeira restrição a verificar, antes de qualquer decisão de arquitectura.
Por baixo do serviço estão componentes de infra-estrutura que convém nomear, porque reaparecem em todas as consolas: centros de dados agrupados em regiões, e dentro de cada região zonas separadas para que uma falha não apanhe tudo; capacidade de cálculo, seja em máquinas virtuais, contentores ou funções; armazenamento, em disco ligado à máquina, em contentor de objectos ou em sistema de ficheiros partilhado; rede, com redes virtuais, endereços, balanceadores e ligações privadas; e os serviços de identidade, registo e monitoria que atravessam tudo o resto.
O princípio que organiza as responsabilidades chama-se responsabilidade partilhada. O fornecedor responde pela segurança da nuvem: instalações, equipamento, rede física, e a camada que ele próprio gere. A instituição responde pela segurança na nuvem: que dados coloca lá, quem tem acesso, como configura o que criou, e o cumprimento das regras a que está sujeita. A fronteira desloca-se com o modelo de serviço — em infra-estrutura como serviço a instituição responde também pelo sistema operativo; em plataforma como serviço deixa de responder por ele; em programa como serviço fica sobretudo com contas, configuração e dados. O que nunca se transfere é a responsabilidade pelos dados e pelo serviço prestado ao cidadão.
A maioria dos incidentes públicos conhecidos neste domínio não resulta de falha do fornecedor, mas de configuração indevida do lado do cliente: um contentor de armazenamento aberto ao público, uma permissão excessiva, uma chave deixada dentro do código. É por isso que este curso dedica um módulo inteiro a identidades, permissões mínimas e protecção de dados.
A fronteira mal percebida no Hospital Distrital de Namacurra do Norte (cenário fictício)
O Hospital Distrital de Namacurra do Norte contrata uma plataforma como serviço para uma aplicação de marcação de consultas. A direcção fica com a ideia de que «a segurança é do fornecedor».
Seis meses depois descobre-se que doze pessoas que já saíram do hospital continuam com conta activa, e que o relatório mensal de marcações estava a ser guardado num espaço de partilha acessível a quem tivesse o endereço.
Nenhuma destas falhas é do fornecedor: ambas estão do lado da instituição — gestão de contas e configuração de acesso. Cenário fictício, para exercício.
Actividade prática
Trabalho em pares, com 50 minutos de trabalho, seguidos de 10 minutos de partilha e síntese em plenário.
Desenhem uma tabela com três colunas: infra-estrutura como serviço, plataforma como serviço e programa como serviço.
Nas linhas, coloquem: instalações e equipamento; rede física; sistema operativo; aplicação; configuração de acesso; dados; contas de utilizador; cumprimento das regras aplicáveis.
Preencham cada célula com «fornecedor», «instituição» ou «ambos» e assinalem as células onde tiverem dúvida.
Escolham uma das células marcadas com dúvida e escrevam que pergunta fariam ao fornecedor para a esclarecer.
Produto esperado: a matriz de responsabilidade partilhada preenchida, com as dúvidas assinaladas e uma pergunta concreta a colocar ao fornecedor.
Síntese em leitura fácil
- As vantagens da nuvem são reais e têm limites: poupar exige gerir; a rapidez inicial não elimina o trabalho de migrar.
- Sem ligação à internet com qualidade suficiente, a discussão de arquitectura não avança.
- Componentes a conhecer: regiões e zonas, cálculo, armazenamento, rede, identidade e monitoria.
- O fornecedor responde pela segurança da nuvem; a instituição responde pela segurança na nuvem.
- A responsabilidade pelos dados e pelo serviço ao cidadão não se transfere por contrato.
Verificação formativa
Estas perguntas não contam para a nota final e não são perguntas do exame final. Servem para a pessoa formanda confirmar o que percebeu.
- Um contentor de armazenamento com dados de utentes ficou acessível ao público. De quem é a responsabilidade?
- Migrar para a nuvem reduz sempre o custo?
Respostas comentadas da verificação formativa
As respostas abaixo pertencem às perguntas de verificação formativa desta lição. Não são perguntas nem respostas do exame final e não têm qualquer efeito na nota. Tente responder primeiro e só depois compare.
Pergunta 1. Um contentor de armazenamento com dados de utentes ficou acessível ao público. De quem é a responsabilidade?
Resposta: Da instituição: é configuração do lado do cliente.
Comentário: Este é o caso típico da responsabilidade na nuvem. O fornecedor entrega o mecanismo de controlo de acesso; usá-lo correctamente é trabalho de quem cria o recurso.
Pergunta 2. Migrar para a nuvem reduz sempre o custo?
Resposta: Não. Depende do perfil de utilização, do contrato, do esforço de migração e da disciplina em reduzir capacidade quando deixa de ser precisa.
Comentário: Vale a pena separar as duas perguntas: «isto melhora o serviço?» e «isto custa menos?». Nem sempre têm a mesma resposta.
